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Vida a dois: O possível caminho entre as diferenças

Todos os dias ouvimos na TV, no rádio ou lemos no jornal, ideias que discursam sobre dificuldades e expectativas com relação a vida a dois. Cada pessoa dentro da sua própria individualidade e experiências é capaz de desenvolver rapidamente uma teoria pessoal a respeito da melhor maneira de se relacionar, da pior maneira de se relacionar, o que é permitido na relação, por que fulano está sozinho, por que o vizinho se separou, o motivo do riso fácil do colega de trabalho e uma infinita lista de opiniões a respeito da vida a dois.

Parece que definitivamente este é um assunto que permeia os interesses de um grande número de pessoas. Ora, se existem muitas pessoas que procuram a satisfação neste campo das emoções qual seria o motivo de tantos desentendimentos se a intenção (consciente) é a união?

Durante a Graduação no curso de Psicologia, essa já era uma questão que me chamava a atenção e pensando nisso desenvolvi uma Pesquisa sobre as Diferenças Sexuais nos Relacionamentos Amorosos. Os resultados deste estudo confirmaram que a forma de vínculo estabelecido entre homens e mulheres é diferente, assim como suas expectativas, sonhos, desejos, formas de pensamento, de educação, de comportamento, e uma teia enorme de subjetividade necessariamente presente quando os indivíduos buscam se relacionar.

Diante de tantas diferenças, como seria possível estabelecer uma relação feliz? Claro que não tenho a pretensão de deixar em poucas linhas um manual para a felicidade da vida a dois, mas se lembrarmos que as diferenças existem e que isso não precisa ser passível de julgamento já é um grande passo. Se conseguirmos pensar em um universo emocional onde haja espaço para respeitar as diferenças naturais que existem entre homens e mulheres desde o momento de seu nascimento e as diferenças culturais próprias de mundos singulares como a família de origem, sem estabelecer um julgamento de “certo” ou “errado” em cima dessas diferenças naturais, teremos uma visão alternativa daquela que estamos habituados a ter.

João gosta de passar as tardes de domingo entretido em suas tarefas pessoais sem ser incomodado por ninguém, Maria prefere viver um domingo no calor da intimidade. Qual dos dois está mais certo? Os dois. João não está mais ou menos certo que Maria ao buscar seu espaço individual no domingo; e Maria não está mais ou menos certa que João ao querer aproveitar as horas livres para conversar com seu par ou aprofundar a intimidade da relação. Eles apenas pensam diferente, isso não quer dizer que um tem mais razão que o outro, ou que um está mais certo que o outro. São apenas ideias e necessidades diferentes.

“Os homens são como elásticos. Quando se retiram, só podem esticar até uma certa distância antes de saltar de volta. Um elástico é uma metáfora perfeita para entender o ciclo masculino de intimidade. Esse ciclo envolve aproximação, afastamento e, de novo aproximação. A maioria das mulheres fica surpresa ao se dar conta de que, mesmo quando um homem ama uma mulher, periodicamente ele precise se afastar antes de poder se aproximar. Os homens instintivamente sentem esse impulso de se afastarem. Não é uma decisão ou escolha. Simplesmente acontece. Não é culpa dele nem dela. É um ciclo natural”.

Já as mulheres tem outro tipo de funcionamento: “Uma mulher é como uma onda. Quando ela se se sente amada, sua auto-estima sobe e desce num movimento ondulatório. Quando ela estiver se sentindo realmente bem, ela atingira o pico, mas então de repente, seu estado de ânimo pode mudar e sua onda quebrar vertiginosamente. Esse mergulho é temporário. Depois de atingir o fundo, de repente, seu estado de ânimo mudará e ela de novo se sentirá bem sobre si mesma. Automaticamente sua onda começa a subir de novo. Quando a onda de uma mulher sobe, ela sente que tem uma abundância de amor para dar, mas quando desce, sente seu vazio interior e precisa ser preenchida com amor. Quando ela atingir o fundo, é o momento para uma faxina emocional.”

O exemplo citado, é apenas uma simples amostra de como o cotidiano está permeado destas diferenças. O caminho aparece quando deixamos de lado o hábito de julgar as necessidades e atitudes do outro para tentar compreendê-las e, principalmente, respeitá-las.

Para tanto o primeiro passo em direção a esse caminho é abrir mão dos julgamentos, saber que   homens e mulheres pensam, sentem, agem e funcionam de formas diferentes e que é justamente essa diferença que os aproxima, e onde crescemos e temos a oportunidade de desenvolver e ver aspectos novos e sem dúvida enriquecedores.

Renata Soifer Kraiser, graduada, pós-graduada e mestre pela PUC-SP em Psicologia e Psicoterapia, atende em seu consultório, localizado na zona oeste de São Paulo, casais interessados em Terapia de Casal.
Ligue e agende um atendimento: (11) 3031-5196 e (11) 3031-2769.




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