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Sobre a traição

Existem vários tipos de traição. Existe a traição de amigo, de cônjuge, de sócio, da pátria… Hoje gostaria de me ater a traição dentro do casamento.

Quando duas pessoas se unem nos moldes tradicionais do casamento, a proposta de fidelidade envolve muito mais do que exclusividade sexual. Fidelidade envolve sonhos, projetos, emoções. A traição, e o próprio nome já diz, fere um conjunto de valores e ideais de vida.

Mas que valores são esses?

Uma boa pergunta. Em um casamento aberto, por exemplo, exclusividade não é um valor. É preciso deixar claro quais os valores que constituem o “contrato de casamento”. A traição entra aqui. Quando um dos cônjuges rompe o contrato sem avisar o outro. Não precisa ser necessariamente o envolvimento com outra pessoa, o adultério. Pode ser uma mudança nos planos combinados, no estilo de vida, nos projetos. Algo que quebra a sinergia, o laço, sem o consentimento do par..

Então eu me pergunto. Quem trai quem? Penso que quando uma pessoa trai a outra, está traindo também a si mesma. Seus próprios sonhos, seus próprios projetos, seu próprio ideal, aquilo que a pessoa construiu para si mesma.

Envolvido em uma aura de glamour, de fantasias e expectativas, o terceiro muitas vezes surge como uma promessa impagável. “Tudo de bom” seria o termo. Sem estresse, sem desgaste, sem cobrança, a imagem da (o) amante surge como um doce sonho envolto na ilusão do começo. O novo! Uma nova chance, um recomeço!

Perdidos entre sonhos e fantasias, sexuais ou não, as (os) amantes só são maravilhosas (os) enquanto amantes mesmo. Assim que assumem o papel de ser humano real, onde os problemas e dificuldades afloram com a impiedade de um deus grego ferido, o novo casal formado terá de se haver com as dificuldades de qualquer relacionamento normal e a doce ilusão que seduziu, se perde, mais cedo ou mais tarde, no difícil mundo dos relacionamentos.

Assim, a namorada, a noiva, a esposa, a amante… Todas elas com seus defeitos e qualidades viverão o mesmo drama. A dificuldade de sustentar um relacionamento saudável através do desgaste dos anos, dos filhos, do dia a dia. A parte gratificante de construir um vínculo sólido, de usufruir dos benefícios de um relacionamento, de poder dormir com a certeza de que o outro estará ali no dia seguinte, para amar, para prover as necessidades afetivas, essa parte é fruto de um trabalho constante, muitas vezes difícil e pesado, mas que com certeza proporciona momentos de conforto e alegria, de suporte e apoio para que a vida seja vivida com mais prazer, com mais amor, com mais carinho, com mais amizade, cumplicidade.

Àqueles que possuem um (a) companheiro (a), fica aqui registrada minha opinião. Se você pensa em trair, ou trai, reavalie sua posição. Um relacionamento se constrói. A paixão é um tempero delicioso, que pode ser usado em qualquer relacionamento (inclusive no casamento!) mas não sustenta a estrutura que suporta os desafios e dificuldades que envolvem a odisseia do relacionar-se.

Trair o outro implica em trair a si mesmo. Antes de investir nesse caminho, avalie se o projeto atual não pode ser reformado, resgatado, reformulado, salvo. As pessoas “valem a pena” e mudar de parceiro pode resolver o problema, mas apenas provisoriamente. Logo as diferenças surgirão e o trabalho do relacionar-se surgirá também com o novo parceiro.

Renata Soifer Kraiser, graduada, pós-graduada e mestre pela PUC-SP, atua na área de Psicologia e Psicoterapia e atende em seu consultório, localizado na zona oeste de São Paulo, casais interessados emTerapia de Casal.
Ligue e agende um atendimento: (11) 3031-5196 e (11) 3031-2769.




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