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Preocupação ou obsessão? Mães e pais que se preocupam demais

Orgânicos. Como.
Escola. Só depois dos 3 anos.
Açúcar. Proibido.
Farinhas? Integrais.
Soja. Não trangênica. Aliás, nada trangênico, claro.
Comercial de TV. Ou até mesmo TV. Proibido.
Desenho animado. Só se for totalmente politicamente correto. Tom e Jerry e Pica pau, nem pensar.
Protetor solar? Dá câncer.
Cera alimentícia na maçã? Socorro.
Vacinas? De jeito nenhum. Ou nenhuma.
Celular? Só para controlar os filhos ou falar o essencial. Também dá câncer.
Babá? Só a eletrõnica. Não vou tercerizar meus filhos.
Amamentação. Obrigatória. 2 anos é o mínimo. Em livre demanda. E se você não puder ou não quiser amamentar, seu filho é um coitado e será lesado para o resto da eternidade. E vamos apedrejar a indústria do mal que faz leite artificial.

Outro dia conversava com uma pessoa que me falou:

“- Não consigo trabalhar. E sei por quê. Nasci de cesáriana.Não sei fazer esforço. Não tem jeito, é irreversível. Se minha mãe tivesse me parido de outra forma eu não teria dificuldade para ser produtiva.”

Quase não acreditei. Eu nasci de cesariana e sou produtiva. O que é isso???

Existe uma diferença muito grande entre buscar as opções que acreditamos serem as melhores para a nossa vida e se tornar obsecada por um ideal impossível.

E como saber se eu só quero o melhor ou se eu estou doente?

A diferença é a flexibilidade. Claro que os orgânicos são melhores e eu também procuro comer sempre orgânicos. Mas eu não morro de ódio da cera na maçã. Não vou deixar de ir a um restaurante porque não é tudo orgânico. Se no mercado não tiver a opção super saudável, eu levo a outra e ninguém vai morrer por causa disso.

A impressão que tenho é que os aspectos obsessivos das pessoas, agora se expressam de outra forma. Antes elas não podiam pisar no “quadrado preto, só no branco”, ou tinha que lavar as mãos BEM lavadas para evitar doenças. Agora mudou. O “mal” está na desenho da Peppa, na cera da maçã ou em qualquer imperfeição.

E eu pergunto. Qual o problema de ser imperfeito? Qual o problema do pai da Peppa ser meio bobo? Não existem pais meio bobos por ai?… Todo mundo tem que ser perfeito? O que é isso minha gente?…

Essa busca pela perfeição esconde uma obsessão pelos filhos. Um traço obsessivo que agora é alimentado não pela “industria do mal” mas pela “industria do bem” que também precisa de lucro para sobreviver e que coloca um monte de medos na cabeça das pessoas para gerar consumo.

Quando eu vi aquela mãe revoltada com a cera da maçã, logo pensei que iriam lançar a maçã orgânica sem cera alimentícia. E o vídeo com ela dizendo “eu não dou isso para minha filha” dispararia o motor da culpa das mães que não podem dar algo tão ruim, e que nem sabem que a tal da cera nem faz mal.

Não, não estou fazendo propaganda de nada. Minha intenção é dizer que por trás de tanta preocupação existe sim um traço obsessivo importante e que não pode ser menosprezado.

Uma coisa é se preocupar, buscar o melhor, questionar. Super saudável. Outra coisa é levar essa preocupação a níveis patológicos onde viver começa a ficar muito caro e complicado.

Pense nisso.

Minha avó viveu 96 anos. E nem sonhava com todas essas variaveis. Apesar de todos os poréns, a humanidade vive cada vez mais. Podemos e devemos buscar o melhor, sempre. Mas sem paranóia.

Um abraço com um pouquinho (não muito) de agrotóxico.
Rena
ta


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