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Os perigos da cama compartilhada

Pode parecer lindo dormir com seu bebê na mesma cama. A internet está repleta de fotos fofas de bebês dormindo com os pais. Mas a Organização Mundial da Saúde não recomenda essa prática.

A Revista Crescer publicou uma matéria interessante sobre o assunto:

http://revistacrescer.globo.com/Bebes/Sono/noticia/2014/07/cama-compartilhada-e-objetos-no-berco-podem-oferecer-risco-aos-bebes-diz-pesquisa.html

Segue o trecho do site Bolsa de Mulher com entrevista da Dr. Márcia do Instituto do Sono :

“A Organização Mundial da Saúde recomenda que os bebês até o sexto mês de vida durmam num bercinho ou carrinho colocado ao lado da cama mãe, mas nunca na mesma cama. “Isso ajuda para que ela possa, com mais facilidade, perceber se algo não anda bem com o bebê, se tem reações como soluço ou vômito, e também para facilitar a amamentação – não precisa levantar e se deslocar podendo voltar a dormir mais rapidamente após as mamadas”, ressalta a pediatra Márcia Pradella-Hallinan.

E a OMS vai além daquela história de que o bebê vai ficar mimado, mal acostumado ou que nunca mais vai querer dormir sozinho. O consenso da Organização diz respeito a assuntos como a morte súbita de bebês e os acidentes que podem ser ocasionados, sendo rigorosamente defendido pela maioria dos pediatras. “Os pais podem rolar sobre o bebê, chutá-lo, empurrar para fora da cama. Há também o risco de sufocamento ou re-inalação do ar expirado, que pode levar à diminuição da reação de despertar”, cita a médica.”

Outra matéria sobre o assunto:

Dividir cama com o bebê aumenta em 5x o risco de morte súbita:

“Compartilhar a cama com recém-nascidos aumenta até cinco vezes o risco de o bebê ser vítima da síndrome da morte súbita, segundo um novo estudo britânico.

Definida clinicamente como a morte repentina e inesperada de uma criança aparentemente sadia, a Síndrome da Morte Súbita do Lactante (SMSL) é responsável por um grande número de mortes entre bebês com menos de 1 ano.

Nos Estados Unidos, por exemplo, essa é a principal causa de mortes de crianças entre o 28º dia de vida e os 12 meses de idade.

Apesar de inúmeras pesquisas, especialistas ainda não conseguiram explicar esse fenômeno. Acredita-se que diversos fatores contribuam para que haja uma alteração na respiração do bebê, levando-o a morrer durante o sono.

O novo estudo, publicado no site BMJ Open – site de acesso livre que publica pesquisas médicas – não explicou o mecanismo que leva à morte, mas concluiu que os riscos de morte quintuplicam quando o bebê dorme na cama com os pais.

A pesquisa também constatou que o risco persiste mesmo entre os pais que não fumam, não bebem nem usam drogas – fatores fortemente associados à síndrome.

Por isso, os pesquisadores envolvidos recomendam que pais não compartilhem a cama com os bebês antes dos três meses de idade.

Sem consenso
O estudo comparou quase 1.500 casos de SMSL com um grupo de controle com 4.500 bebês saudáveis.

A orientação atual na Grã-Bretanha é de que os pais devem decidir onde o bebê dorme. No entanto, as autoridades de saúde do país aconselham que a opção mais segura é colocar a criança para dormir em um berço no quarto dos pais.

Outros países, como os Estados Unidos e a Holanda, são mais taxativos: os pais não deveriam compartilhar a cama com o bebê durante os três primeiros meses de vida.

Um dos responsáveis pelo estudo, o professor Bob Carpenter, da London School of Hygiene & Tropical Medicine, em Londres, disse que, tendo em vista os resultados do trabalho, a Grã-Bretanha deve “adotar uma posição mais definitiva contra o compartilhamento da cama para bebês com menos de três meses”.

Entrando no debate, a divisão britânica do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) manifestou preocupação com esse tipo de orientação. Para a entidade, sugerir que pais evitem a todo custo compartilhar a cama pode levá-los a adotar práticas mais perigosas – como amamentar o bebê em poltronas ou sofás, onde os riscos de sufocar o bebê são ainda maiores.

Outros questionam quão confiável é o novo estudo. Em entrevista à BBC Brasil, Carpenter explicou que, apesar de não se saber ao certo o que causa a morte do bebê, a associação entre morte e compartilhamento da cama é estabelecida por meio de comparações estatísticas.

Os especialistas relacionam casos de mortes com ou sem compartilhamento da cama a casos onde os bebês sobreviveram ao primeiro ano de vida compartilhando ou não a cama com os pais.

Carpenter disse também que há várias possíveis explicações para a morte do bebê recém-nascido ao compartilhar a cama. Entre elas, obstruções respiratórias, inalação de gases expirados e estresse termal, ou seja, superaquecimento, que pode provocar a liberação de toxinas letais.

Finalmente, o especialista disse que há casos em que os pais acidentalmente sufocam a criança enquanto dormem. Incidentes como esses são difíceis de ser comprovados, seja porque ocorreram durante o sono ou porque dependem da admissão de culpa pelos pais.

Com base em suas investigações, Carpenter afirma que evitar compartilhar a cama salvaria vidas. Segundo seus cálculos, 120 das 300 mortes resultantes da SMSL que ocorrem na Grã-Bretanha todos os anos poderiam ser evitadas.

Em um quinto dos casos analisados (323) pelo estudo, um ou ambos os pais estavam dormindo com o bebê no momento da morte. Desse total, 87,7% das mortes foram diretamente associadas ao fato de o bebê estar na cama com os pais. A porcentagem de mortes atribuídas ao compartilhamento da cama subiu para 89,5% entre bebês com menos de três meses de idade.

Apenas um em cada dez pais no grupo de controle disse ter compartilhado a cama com seus filhos.

O estudo concluiu que, excluindo-se todos os outros fatores de risco conhecidos, 81% das mortes súbitas em crianças com menos de três meses poderiam ter sido evitadas se elas não tivessem dormido na mesma cama que os pais.

Carpenter disse que sua intenção não é proibir os bebês de ficarem na cama com os pais para serem confortados e amamentados.

Isso já foi investigado em estudos anteriores e não foi considerado um fator de risco, desde que a criança seja devolvida ao berço para dormir, disse.

Comentando o novo estudo, Francine Bates, porta-voz da entidade The Lullaby Trust – que promove o sono seguro do bebê – disse: “Reconhecemos que alguns pais vão escolher dormir com os bebês em vez de colocá-los em um berço ou moisés perto da cama.”

“O Lullaby Trust apoia a escolha do casal, mas nós pedimos a todos os pais e mães novatos que considerem os riscos já conhecidos de se compartilhar a cama com o bebê e, tendo em vista sua própria situação, tomem as precauções apropriadas.”

“Nossa principal mensagem continua sendo: o lugar mais seguro para um bebê dormir durante os primeiros seis meses é um berço no mesmo quarto dos pais ou de quem está cuidando dele.”

Fonte: G1.com

O Pediatra Jairo Len também escreveu um texto muito lúcido sobre o assunto:

“Cama Compartilhada – Postado por Jairo Len

Não ia comentar uma reportagem que li no UOL, sobre “cama compartilhada”… Mas algumas mães me perguntaram o que acho do assunto.

A reportagem começa assim:
Você ignorou todos os conselhos e trouxe seu bebê para dormir na cama de casal? Não se sinta envergonhada, você não está sozinha. Esse método, que passou a ser chamado de cama compartilhada, vem ganhando seguidores. O pediatra especializado em neonatologia …, é um dos defensores do sistema. Segundo ele, a cama compartilhada pode trazer benefícios tanto para os pais quanto para as crianças“.

Bom… Começo dizendo que tudo, em pediatria, que é denominado de “compartilhado“, já mostra uma tentativa de solução de um problema. Um nome bonito para um enrosco. Vide guarda compartilhada – uma solução para filhos de pais separados, que, neste caso, tem feito inúmeros pais (homens) acharem que tem direitos acima da lei sobre os filhos – pressionando sobremaneira as mães (em 99% detentoras da guarda dos filhos).

Voltemos à cama compartilhada. Sou 100% contra.
Exceto quando há qualquer problemas de saúde ou emocional com a criança, ela não deve dormir na cama dos pais.
Primeiro e irrefutável argumento: dormir na mesma cama que adultos aumenta o risco de mortalidade em crianças, tanto por sufocamento como por morte súbita. Se devemos evitar paninhos e brinquedos na cama, imagina dormir com uma pessoa de 60 kg de um lado e outra de 85 kg do outro. Edredons, travesseiros, etc…

Na mesma reportagem, uma voz lúcida:
Não é seguro. Os pais não têm controle dos movimentos enquanto dormem. Não recomendo de jeito nenhum”, diz a pediatra e alergologista Ivani Mancini. Como alternativa aos pais que querem ficar perto da criança, Ivani recomenda colocar o bebê para dormir num carrinho ou bercinho no mesmo quarto. E só nos primeiro meses. Para Ivani, o bebê deve ser acostumado a dormir sozinho no berço desde cedo”.

É claro que no blá-blá-blá todo da reportagem, uma mãe adepta à guarda compartilhada diz que “As decisões que tomo na minha casa são baseadas na vivência da minha família e no tipo de criação que escolhi, sabe? Existem inúmeras pesquisas que falam da vantagem de se ter a criança por perto, das vantagens de criar o bebê próximo e acolhido pelos pais.”
Concordo com a primeira parte: cada um faz o que quer na educação dos seus filhos. Free-will.
Mas a segunda parte, de forma alguma.
Não sei se por culpa ou outro problema que a psicanálise deve saber qual é, a maioria destas pessoas ligam esteshábitos errôneos (como amamentar até os 5 anos de idade e dormir na mesma cama) ao apego e forma de demonstrar que sentem mais amor que os demais pelos seus filhotes… Todo mundo que tem filhos sabe que não é bem assim, que não esse tipo de criação que mostra o quanto se ama os filhos.
Aliás, acho que uma das maiores formas de amor é conseguir educar os filhos, despindo-se das culpas cotidianas.

E a reportagem ainda elucida quando se fala da sexualidade dos pais. Como fica, uma vez que a criança está na mesma cama?
O pediatra que é a favor da cama compartilhada respondeu: “a cama compartilhada não interfere na sexualidade do casal. As pessoas sabem usar outros lugares.”
Ou seja: o casal sai do quarto, tranca seu filhinho dormindo lá dentro e vai para a sala. Não se esqueça de trancar também a área de serviço, a porta da cozinha e fechar as cortinas.”

Acho muito bom refletir profundamente sobre isso.

Beijos




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