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Os papeis do homem e da mulher na família atual.

Quando eu trabalho com o sono dos bebês, sempre peço para o pai comparecer a consulta.

Muitas mães acham estranho e perguntam, -“Para quê?”

Eu explico.

Há 60 anos atrás, os filhos eram responsabilidade única e exclusivamente das mulheres. Aos homens era destinado o papel de provedor e as crianças eram para ele, parte de um conjunto chamado família com quem ele se relacionava superficialmente no fim de um dia de trabalho. Quando muito, a mãe pedia socorro para o pai ajudar em algum problema mais sério que ela não havia conseguido resolver sozinha durante o dia.

A casa era igualmente cuidada pela mulher. Eletrodomésticos como máquina de lavar louça eram caros e começaram a ficar mais populares no fim da década de 80. Micro ondas, freezer, aspiradores de pó com funções diversas e mais ergonîmicos ( já temos até o aspirador robô), secadora de roupas e mesmo lavadora de roupas mais modernas e com funções específicas, tudo isso começou a sair do imaginário coletivo e do desenho dos Jetsons para o dia a dia das familias brasileiras há pouco tempo.

Isso passou a dar mais autonomia para as mulheres. Por outro lado, a figura da empregada doméstica, muito comum no Brasil até hoje, começou a ficar mais rara. As novas leis trabalhistas e os altos salários exigidos pelas profissionais, aos poucos começaram a mudar a cara do cenário da família brasileira.

Com mais recursos tecnológicos e menos mão de obra doméstica, as mulheres começam a se perguntar: Se eu posso trabalhar fora e cuidar da casa ao mesmo tempo, por que meu marido não pode colaborar?

Sim. Essa palavra é muito importante: colaborar.

Eu sempre escuto as mulheres dizerem que seus maridos as ajudam ou não. Essa palavra “ajuda” já parte do princípio de que a tarefa é da mulher e o homem pode ou não ajudá-la. Já a palavra “colaborar”, subintende que os cuidados com a casa é responsabilidade de ambos. Assim como a criação e educação dos filhos.

Quando o marido colabora e participa dos cuidados da casa e dos filhos, forma-se uma parceria entre o casal. Ninguém fica sobrecarregado. Os eletrodomésticos auxiliam e enquanto um dá banho nas crianças, o outro pode tirar a louça da máquina. O casal se une, ninguém fica cansado demais e sobra tempo e energia um para o outro.

O problema costuma acontecer quando os cuidados com os filhos e a casa ficam a cargo apenas de um dos cônjuges. Neste caso, pode haver um distanciamento entre os membros do casal que acaba não compartilhando da mesma realidade. Os problemas não são os mesmos, e muitas vezes ocorre uma alienação com relação as dificuldades que o outro vive no dia a dia.

Assim, se o bebê acorda a noite isso é problema em geral da mãe. Ela que resolva. O pai parte do princípio de que a mãe “não faz mais nada” além de cuidar dos filhos e da casa (como se isso fosse pouco), ele tem que acordar cedo, então ela que se vire. Muitas mulheres se veem sozinhas, sobrecarregadas, incompreendidas em suas dificuldades e acabam se distanciando dos maridos.

O primeiro impacto é na vida sexual. Cansadas e se sentindo sozinhas, a libido cai. Namorar com o marido no meio das fraldas, da Peppa, do leite, do choro e de tudo ao mesmo tempo, não é fácil.

Na minha visão, esse modelo de família onde o marido trabalha fora de casa e a mulher dentro de casa, precisa ser revisto. As mulheres também tem o direito a realização profissional e seus sonhos não necessariamente se resumem apenas a maternidade. Estudar e ter independência financeira é cada vez um desejo mais comum entre as mulheres. E totalmente compatível com a maternidade.

Paralelamente, também percebo que muitos homens começam a descobrir a delícia que é estar com os filhos. Participar da rotina, cuidar, alimentar, passear, colocar para dormir, tudo isso pode e deve ser feito também pelo pai. Todos ganham. As crianças desfrutam desse vínculo tão importante, vivenciam outro modelo, se aproximam do masculino. O pai tem um encontro de amor com seus filhos, passa a os conhecer pessoalmente, através de sua visão própria e não apenas através do discurso da mãe. E a mãe ganha um parceiro que a liberta, que a compreende, que a apoia, que fala a mesma língua e experiencia sua realidade doméstica.

Da mesma maneira, se a mulher trabalha também fora de casa, ela consegue oxigenar suas ideias, tem outros assuntos além dos domésticos, compreende melhor as demandas profissionais do marido, compartilha de suas ambições e pode se unir a ele na busca por crescimento pessoal e profissional.

E as crianças? Ficarão abandonadas? Terceirizadas? Inseguras?

De jeito nenhum. Muito pelo contrário. Elas serão cuidadas pelo casal. Podem sim ir a escola, socializar, conviver com outros adultos e crianças, desenvolver suas habilidades intelectuais para depois desfrutar de ambos os pais. Se a família optar por não colocar as crianças na escola, o tempo destinado aos cuidados com os filhos precisa ser pensado de forma que ambos, pai e mãe, tenham responsabilidade com relação a esses cuidados, ainda que eventualmente, ou por um período de tempo,
os ganhos financeiros sejam menores.

Vale a pena! Nossos filhos são o nosso maior patrimônio!
Beijos de uma mãe que trabalhar dentro e fora de casa!
www.terapeuta.psc.br

foto : http://www.kidsvitrine.com.br/2014/08/cresce-numero-de-pais-que-ficam-em-casa.html


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