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Os irmãos

Quando falamos de irmãos é muito difícil ficar quieto. Todo mundo que tem um irmão tem uma história para contar. Uma ou várias! Os que não tem irmãos também querem contar como é ser filho único.

O relacionamento entre irmãos é muito rico no sentido de proporcionar as primeiras vivências que serão a base para os relacionamentos em sociedade. É com os irmãos que a gente briga, que a gente ama, que sentimos ciúmes, que protegemos, por quem brigamos. Entre irmãos há regras próprias, há segredos, há disputa, há carinho.

O lugar entre os irmãos também é relevante. O filho mais velho costuma carregar um ar de superioridade. E é verdade, por ser mais velho, nasceu antes, viveu mais, sabe mais. Freud dizia que não existe investimento narcísico maior por parte dos pais que o feito ao primogênito. Por outro lado, as expectativas e cobranças dos pais costumam ser bem maiores em relação a este filho.

O segundo filho, se for o caçula é uma história, se for o do meio é outra. O filho do meio não é nem o primogênito e nem o caçula. Quando o filho do meio é do mesmo sexo que o primeiro filho, pode haver um desejo consciente ou inconsciente dos pais que ele tivesse nascido com outro sexo. A competição entre irmãos do mesmo sexo costuma ser maior do que entre irmãos de sexos diferentes. Mas é uma competição injusta, pois, por ser mais velho, o primeiro filho é maior, mais forte e mais sabido. E o filho do meio tem que batalhar um espaço novo nesse terreno onde ele chegou “roubando” a supremacia do mais velho.

Já o caçula, que como o primogênito tem um nome que o especifica, é o último “bebê” da casa. Costuma ser super protegido, mimado e disputado. Muitas vezes o filho caçula, ou o caçulinha como dizem, é a realização da família que finalmente tem um bebê do sexo esperado. Mas de qualquer forma, ele costuma chegar à família como a última experiência de ter um bebê em casa, o que pode fazer com que essa experiência prolongue seu período infantil.

Outras vezes o caçulinha é a raspa do tacho, ou seja, um filho que veio por acidente, ou que os pais não esperavam. Nesse caso a história é diferente. Ele pode ser negligenciado, esquecido, ou “criado sozinho”, que é o que dizem quando a criança se cria por si só, sem tanto investimento afetivo como tiveram os irmãos.

Mas o relacionamento entre os irmãos é sempre enriquecedor. Ter um irmão é a possibilidade de dar primos aos filhos, de cuidar juntos dos pais na velhice, de pedir conselhos, algo emprestado e uma gama enorme de experiências que podem fazer da vida algo diferente, e quem sabe menos solitária.

Renata Soifer Kraiser, graduada, pós-graduada e mestre pela PUC-SP em Psicologia e Psicoterapia, atende em seu consultório, localizado na zona oeste de São Paulo, pessoas interessadas em Terapia Individual.
Ligue e marque um atendimento: (11) 3031-5196 e (11) 3031-2769




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