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O papel do pai na qualidade e quantidade de sono do bebê

Olá, mamães,

Hoje eu quero conversar com vocês sobre uma figura muito importante, mas pouco falada quando o assunto é desenvolvimento infantil.

O pai, ou quem faz o papel de pai, é uma figura que tem grande importância no desenvolvimento do bebê por várias razões. É ele quem corta o segundo “cordão umbilical”, possibilitando ao bebê ligar-se a outra realidade afetiva além da mãe. Ele é o primeiro representante do “mundo além” da simbiose mãe-bebê, ou seja, é por meio dele que o bebê fará o primeiro contato para além do peito e/ou mamadeira.

É o pai quem vai dizer para a mãe que aquele bebê também é dele, e vai dizer para o bebê que aquela mulher não é só sua.

É por isso que o pai é tão importante no processo de adormecer.

Para que o bebê consiga dormir, ainda que em cama compartilhada, ele precisa conseguir se desligar desse mundo, o mundo consciente, para então mergulhar no mundo do sono e dos sonhos. Um mundo que é só dele e que ninguém pode entrar além dele próprio, sozinho.

Para fazer esse movimento de desligar-se desse mundo, mergulhar no sono, para então voltar para esse mundo de forma tranquila, o bebê precisa ser capaz de desligar-se da mãe, ainda que por algumas horas, com a certeza de que no dia seguinte, ela estará ali, inteira e pronta para prover suas necessidades.

Quando o pai gradativamente rompe a simbiose mãe/bebê, por volta dos 5 meses, o bebê começa a se ligar de maneira mais efetiva ao pai e não sobrecarrega tanto a relação mãe/bebê, a ponto de ter que permanecer ligado nela ininterruptamente.

Desta maneira, podemos dizer que o pai é um facilitador do processo de adormecer.

O que usualmente ocorre com as crianças que têm dificuldade para iniciar e/ou manter o sono, é que a maneira como o vínculo acontece não abre espaço para o tempo de dormir. Os pais induzem o sono da criança, levando-a até o sono profundo, de modo que ela não tem a chance de conhecer seus próprios meios de fazer esse percurso.

O medo de traumatizar, de abandonar, de frustrar, de desligar e a culpa que os pais sentem diante do choro do bebê, fazem com que a criança se torne dependente dos indutores do sono.

Por isso que a insônia do bebê está intimamente ligada a aspectos psicológicos e não se resume a um treinamento. É importante entender como o vínculo acontece, como o os pais se relacionam, como está a psique dos pais, e muitas vezes, como foi ou como é a própria relação dos pais do bebê com os avós da criança. Como foi a infância, seu próprio processo de adormecer, seus próprios medos e compensações.

Quando o casal está em crise, também é muito comum a mãe se ligar ao bebê de maneira tal que o pai não consegue participar da relação. Ou também é natural que o vínculo mãe/filho acabe compensando a ausência do pai ou seu afastamento.

Desta maneira, é muito importante que o pai do bebê exista de fato na vida dele, participe da rotina, atue, opine, alimente, dê banho, cuide. Ser pai não se resume a pagar contas e brincar 10 minutinhos. Ser pai é muito mais que isso. É acima de tudo abrir um espaço entre a mãe e o bebê. Espaço esse que vai ajudar a criança a reconhecer o que é ela e o que é o outro. Vai ajudar o bebê a se desligar da mãe para poder dormir e também dar a ambos, mãe e bebê, tempo de vida para oxigenar a relação e depois voltar a ela de maneira mais tranquila, menos estressada, mais gostosa.

Porque a saúde mental do bebê não depende só da mãe.

Um grande abraço!

Renata




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