222014ago

O discurso autoritário

E então as pessoas me perguntam:

“Você é a favor do quê? E contra o quê?”

É exatamente esse o meu ponto.

Eu pessoalmente, estou mais para natureba, ambientalista, ecologista com fortes tendências vegetarianas. Como orgânico e me preocupo bastante com a alimentação.

Mas não imponho minha verdade a ninguém. Não sou a favor de nada a todo custo. Sou contra o discurso autoritário.

Aquele discurso mais ou menos assim: “Quem não está comigo, está contra mim.”

E não me refiro apenas a um assunto. Não gosto de autoritarismo em nenhum campo. Nem na política, nem na saúde, nem no parto (nem no prato), nem na escola, nem no casamento, nem na sexualidade, nem na afetividade, nem em lugar nenhum do universo. Amo a democracia, amo a reflexão e o respeito às diferenças. Amo o diálogo. Ficar reafirmando um discurso (qualquer que seja) para mim é uma atitude pouco produtiva.

O que eu percebi, e por isso resolvi escrever sobre o assunto, é que muitas mães chegavam ao consultório cheias de culpa, algumas doentes de sono, com casamentos em crise, deprimidas, por quererem corresponder a um ideal qualquer. Percebi que existia na internet uma corrente de mulheres com tempo para escrever e defender suas ideias, coisas que nem todas as mulheres conseguem fazer, principalmente as que precisam ou optaram por trabalhar dentro ou fora de casa, ou ainda foram atrás de sua realização profissional, conciliando carreira com maternidade.

Essas mulheres estavam sem voz. E eu resolvi dar voz à elas.

Imediatamente comecei a ser julgada, exatamente como essas mães são. Pessoas que nunca conversaram comigo, falando (desculpem o termo) um monte de abobrinhas. Chega a ser um pouco (ou muito) engraçado, com todo o respeito. Até terapia me mandaram fazer! Olha o grau do absurdo, eu faço terapia há mais de 22 anos. As pessoas não tem a menor ideia do que soltam na internet e falam do outro, que se quer conhecem, não sabem absolutamente nada a respeito, com uma propriedade e arrogância que chega a dar medo.

Não é a toa que as mães que me procuram chegam confusas e atordoadas por esse discurso autoritário.

Se você me perguntar, eu vou te dizer que não sou contra o parto natural, nem normal, nem a cesáriana. Sou contra a falta de respeito a escolha da mulher seja ela qual for. Não acho que uma pessoa que escolheu uma cesariana é menos informada que a que escolheu um parto  normal. Isso é uma falácia. E também não acho que a pessoa que fez o parto natural regrediu aos tempos das cavernas. Ambas tem direito de viver sua experiência da maneira que acreditam ou que se identificam.

Apesar de algumas mulheres jurarem de pés juntos que respeitam as escolhas das outras, basta alguém dizer que quer “dormir”, algo simples como isso, que o bombardeio começa. E não precisa ir longe. Leia os comentários dos blogs e você verá o grau da intolerância, da arrogância e da agressividade.

Acho que o movimento do parto humanizado, por exemplo, tem uma importância muito grande para combater a ditadura da cesária. Mas tem que tomar cuidado para não virar ele mesmo outra ditadura.

“A pior ditadura não é a que aprisiona o homem pela força, mas sim pela fraqueza, fazendo o refém das próprias necessidades” Julia Lícia

“Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim” Millor Fernandes

“A grande força da democracia é confesar-se falível de imperfeição e impureza, o que não acontece com os sistemas totalitários, que se auto promovem em perfeitos e oniscientes para que sejam irresponsáveis e onipotentes” Ulisses Guimarães

Para finalizar, uma frase que resume bem o que penso, não sei de quem é:

E viva a liberdade! Abaixo a ditadura!
Beijos com muita imperfeição e humanidade
Renata


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