182012maio

Mães super protetoras x Mães ausentes

Todo mundo sabe como é difícil alcançar o equilíbrio. Por mais que a gente tente, não acredito em equilíbrio permanente ou absoluto. Este seria sinônimo da morte, pois a vida é movimento.
Assim como nosso coração faz movimentos de sístole e diástole, nosso pulmão inspira e expira o ar, nossos músculos contraem e relaxam; para mantermos nos vivos, precisamos saber dançar a dança dos opostos sempre buscando o equilíbrio.
Mas e quando ele não acontece?
É ai que mora o perigo. Quando tendemos a um extremo, seja ele qual for, abrimos mão de muitos aspectos importantes da experiência. 
Assim, a mãe ausente se priva do convívio com seus filhos, terceiriza a educação deles e perde os prazeres e desprazeres da maternidade. É uma experiência incompleta. O tempo passa rápido e os momentos perdidos não voltam mais…  
Por outro lado, a mãe super protetora sufoca com sua ansiedade o potencial dos filhos. Não acredita que eles possam se virar sozinhos e gera crianças dependentes e adultos inseguros. Muitas vezes a mãe super protetora abre mão de sua realização pessoal em prol dos filhos.
Em ambos os casos a conta uma hora acaba chegando.
As  atitudes extremas trazem consequências tanto para as mães, como para os filhos e para a família.
Os filhos de mães ausentes costumam gritar por atenção das mais diversas formas. A mais comum delas é fazendo exatamente o contrário do que se espera deles. É um pedido de socorro, uma forma de fazer com que olhem para eles e seu sofrimento. Muitas vezes os pais e mães ausentes tentam compensar a criança com bens materiais, tentando preencher um vazio emocional com presentes.
É um erro muito comum e que pode inclusive desenvolver comportamentos indevidos, como o daquelas pessoas que quando estão chateadas precisam sair às compras.
No caso da super proteção, as mães criam uma espécie de obsessão pelos filhos que chega até a assustar. Só pensam nas crianças 24hs por dia, 365 dias por ano. Os diálogos são sempre sobre os mesmos “obsessuntos”. Temem o choro e a frustração dos filhos e acham que qualquer desconforto pode lhes causar um mal irreversível. 
Quando as crianças crescem um pouco, as mães super protetoras cercam e controlam cada passo e cada espirro, como se a vigilância permanente pudesse evitar algum mal eminente, quando na verdade o que elas querem mesmo é manter os filhos próximos e dependentes suprindo uma carência que no fundo é delas.
Mas uma hora essas crianças acabam virando adultos (se não Peter Pans?) e se conseguem superar esse complexo, vão levantar voo em direção a sua vida e projetos. E ai? Qual será o papel dessa mulher? Avó super protetora? Ou será que vai sobrar um vazio enorme, fruto da ausência de investimento em si mesma, em seus sonhos e seu desenvolvimento?
As mães ausentes também pagam o preço. Filhos emocionalmente distantes. Ora, nada mais justo, colhemos o que plantamos.
Claro que extremos como os descritos aqui são raros. Mas é importante apontá-los para que a gente cuide, todos os dias, para não escorregar demais para nenhum dos lados.
Mesmo que o equilíbrio total e absoluto não exista, buscá-lo é sempre uma boa ideia.
Assim, vamos vivendo a experiência da maternidade, errando, acertando, aprendendo e teimando todos os dias, pois ser mãe não tem feriado, dia santo e nem férias.
Um beijo para todas as mamães que assim como eu, são humanas e por tanto imperfeitas!
Renata
www.terapeuta.psc.br
*Desenho de Ziraldo


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