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Devo bater em meu filho para educá-lo?

Bater ou não em crianças para educá-las é um assunto polêmico que enche os pais de dúvidas, medos e culpas. A agressão é um método muito questionável e que tem se mostrado pouco eficaz ao longo do tempo. Igualmente difícil é a tarefa de formar um consenso, desafio em questão desde o surgimento da psicologia.

Depois de uma extensa geração vítima de agressões físicas e verbais tanto em casa como nas escolas, que usualmente adotavam métodos punitivos baseados em castigos severos; por volta dos anos 70 começa a surgir uma nova geração, filha dos conhecimentos da psicologia e que tendeu a um outro extremo: liberdade excessiva. Dúvidas ao estabelecer limites, receio de dizer não e tudo em nome da libertação de hábitos de educação rígidos, e do medo de criar traumas na criança; esses fatores deram origem a uma nova geração de jovens, inseguros, que muitas vezes invadiam os espaços alheios, buscando conhecer no outro os tão importantes limites que não conheceram em seus lares.

Diante da realidade dos extremos, hoje se caminha em direção a um meio termo. Sabemos que o respeito pelos pais é uma coisa que a criança começa a aprender através da observação dos modos de relacionamento estabelecidos em casa. Se o Papai não respeita a Mamãe, será difícil o filho deste casal fazê-lo. Da mesma forma, se os pais não respeitam seu filho como um indivíduo que também possui desejos, sentimentos e um conjunto de emoções que também merece atenção, paciência e carinho para evoluir saudável, será difícil de exigir o mesmo dele em relação a seus pais. É uma relação de troca. Relacionar e trocar.

Muitas vezes escuto pais justificarem o bater dizendo que não têm tempo para explicar aos seus filhos por que eles devem tomar banho em tal horário ou comer mais legumes e menos doces. Impõem isso à criança como uma verdade que deve ser aceita por estar vindo de seus pais, afinal são eles os pais e, além disso, estão cansados por terem tido um dia exaustivo de trabalho. Essa afirmação, apesar de muito freqüente, não justifica tal atitude. A criança, por menor ou maior que seja, possui uma subjetividade que precisa ser considerada.

Da mesma maneira que sentimos o quanto é desagradável conviver com um chefe tirano que nos impõe condições e tarefas que não gostamos, e que muitas vezes somos obrigados a aceitar sem ao menos questionar ou compreender, não é saudável que tenhamos atitude semelhante com nossos filhos, pessoas que muito provavelmente nos acompanharão pelo resto de nossas vidas.

Qual seria a alternativa? Primeiramente é preciso lembrar que filhos demandam tempo, atenção, carinho, paciência e que milagres não existem. Se você já tem uma relação difícil com seu filho, e quanto mais tempo ela já estiver estabelecida, demandará mais tempo e paciência para corrigi-la. Mas não e impossível. A alternativa é procurar sempre manter um diálogo, explicando os porquês do não e do sim. Sempre.

– Mamãe não quer que você ande descalço porque assim você pode pegar um resfriado. Ou: – Agora você vai dormir porque precisa acordar cedo amanhã e ir à escola. Ao contrário do comum: – Vai por os chinelos menino!! – ou – Já pra cama!! Se a criança insistir em desobedecer, mostre-lhe que está aberto para ouvi-la, que compreende seus motivos, que os considera, mas que se for o caso, naquele momento os motivos dos pais dela são mais fortes e por isso ela deve obedecê-los.

Quando a criança se mostra rebelde e desafia os pais levantando a mão ou sendo agressiva demais, é hora de mostrar o limite de uma forma mais concreta. Sem bater, procure apenas segurar seu filho de modo que ele não possa sair correndo ou agredi-lo, e mostre que inevitavelmente você é mais forte do que ele. Esse simples segurar costuma ser muito eficiente. Outro ponto fundamental é a impostação de voz. Gritar não adianta, com o tempo seu filho se verá no direito de gritar com você, seja logo ou na adolescência. É de extrema importância que você saiba se colocar com firmeza e segurança.

Nada de tentar convencer seu filho em momentos em que ele deve e sabe que precisa obedecer : – Queridinho, por favor vai… Obedeça a Mamãe…- A criança percebe essa atitude fraca. Se depois de explicar o porquê, conversar e deixar muito clara a importância da criança obedecer, e depois dela não ter colocado nenhum motivo forte para não querer obedecer, então é a hora de se impor através da impostação de voz.

Se isso não funcionar, procure mostrar-lhe o limite físico, sem bater, segurando a criança (não é necessário machucar, basta segurá-la com firmeza) e repetindo o porquê da necessidade dela obedecer, frisando que por trás dessa ordem há uma intenção de amor, bem querer e bem estar da criança.

É claro que pais perfeitos e educação perfeita não existem. somos seres humanos e, portanto, passíveis de erros e acertos. Não se sinta culpado se não conseguiu ter a melhor atitude do mundo com seu filho. Mas se você estiver disposto a sempre procurar melhorar, não só nas formas de relacionar-se com seus filhos, mas com o mundo em uma constante evolução, este com certeza é o melhor que você poderá dar.

Ter paciência, não gritar, respeitar os desejos e necessidades da criança, ouvindo o que ela tem a dizer e procurando estabelecer limites através de uma forma alternativa ao bater, é mais difícil e menos prático, mas com certeza construirá uma relação de amizade e respeito mútuos que ficará para sempre. Violência gera violência. Amor gera amor. Vale a pena!

Graduada, Pós-graduada e Mestre pela PUC- SP, a psicóloga e psicoterapeuta Renata Soifer Kraiser trabalha em seu consultório a Terapia Individual.
Agende uma consulta através dos telefones: (11) 3031-5196 e (11) 3031-2769.




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