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Depressão pós-parto

É verdade que a maternidade é uma total delícia? Toda a mãe tem que estar o tempo todo radiante como as estrelas de TV em capa de revista?

Existe um mito de que ser mãe de um bebê é só alegria. Todos os dias, vemos nas bancas de jornal, nas capas de revistas, nas entrevistas da TV, em novelas, mulheres sorridentes, falando da maternidade como se essa experiência só tivesse aspectos positivos e fáceis de serem vividos, mas não é bem assim.

A maternidade é uma experiência muito intensa. Ninguém esquece o que se passa ou o que se passou. Ser mãe é para sempre e existe realmente muitas coisas gratificantes que fazem com que o lado mais difícil valha a pena. Mas por que algumas mães são vítimas da depressão pós parto e outras não?

A depressão pós-parto tem aspectos biológicos e aspectos psicológicos.

Biologicamente, a saída da placenta, órgão produtor de um volume muito grande de hormônios necessários para a gestação, faz com que ocorra uma queda brusca desses hormônios no organismo. Essa queda costuma causar alteração de humor em todas as mulheres. O que vai determinar se isso evoluiu para uma depressão pós-parto ou não é o grau de alteração, ou seja, é normal e esperado que toda a mulher fique mais sensível, ou até mais chorosa após o parto, mas se esses sintomas evoluem para sensações de tristeza profunda, falta de afeto pelo bebê, ideias persecutórias, delírios, pensamentos suicidas, insônia, perda do interesse pela vida, ausência de cuidados pessoais e/ou com o bebê, então é hora de procurar ajuda assim que constatado o problema.

Para cuidar da parte biológica é importante dispor do uso de medicamentos que podem ser receitados, após a devida avaliação, por um médico psiquiatra que vai acompanhar o caso. Hoje já existem medicamentos que podem ser usados por mães que amamentam, sem causar prejuízos ao bebê.

Mas e a parte psicológica?

Esta também precisa ser cuidada. Os sintomas podem estar associados a aspectos químicos e hormonais que são corrigidos com o uso da medicação, mas os aspectos psicológicos também estão presentes e fazem parte das causas de um quadro de depressão-pós-parto.

Quando uma mulher se torna mãe, varias questões vem à tona. Questões ligadas a relação da nova mãe com sua própria mãe, outras ligadas a capacidade de cuidar do bebê, que pode variar entre se achar impotente ou super potente; questões ligadas ao relacionamento com o pai da criança, com os familiares, com a feminilidade, com o corpo que mudou velozmente, com a ausência da barriga e o vazio que se sente ao não ter mais o bebê dentro de si. Em alguns casos questões financeiras, medo de não conseguir prover as necessidades do bebê também podem aparecer.

É comum surgir a cobrança interna ou externa para dar conta de muitas atividades de uma maneira eficaz, num momento delicado. As comparações que surgem com outras mães que engordaram menos, que amamentaram mais, ou que o bebê era mais isso ou menos aquilo. Tudo vivido intensamente, num momento onde se dorme pouco, por conta da amamentação noturna, e se exige muito prioritariamente da mãe.

Cuidar dos aspectos psicológicos em terapia é fundamental para poder superar esse quadro com sucesso. É na terapia que a mãe, mulher, filha, esposa, amiga e todos esses papéis, vão encontrar espaço para se expressarem sem julgamentos, livremente, dando vazão aos medos, as críticas, as dificuldades.

Quanto mais cedo for iniciado o trabalho, maior as chances de sucesso e menor o tempo de duração do tratamento.

É importante dizer que, dependendo da maneira como a gestação evolui, a gestante pode e deve procurar a psicoterapia como forma de prevenção e parte dos cuidados necessários na gestação. Também é bom lembrar que a depressão pós parto pode surgir em mães adotivas que se veem diante das mesmas questões de uma mãe biológica.

O papel da família e do companheiro no período de gestação e pós-parto também é muito relevante. Compreensão, carinho, respeito ao momento único que se vive, companheirismo, amizade, escuta, amor e não julgamento, são ingredientes que quando vindos por parte das pessoas importantes, contribuem muito para a recuperação e/ou o bem estar da mãe.


Graduada, Pós-graduada e Mestre pela PUC- SP, a psicóloga e psicoterapeuta Renata Soifer Kraiser trabalha em seu consultório a Terapia Individual.
Entre em contato e agende uma consulta: (11) 3031-5196 e (11) 3031-2769.



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