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Como saber se meu filho é mimado?

Todos os dias eu escuto frases com a palavra “mimado”. Fulaninho ficou mimado, a filha da vizinha é mimada, o caçula é sempre mimado e por ai vai…

Mas como saber se nossos filhos estão sendo educados da melhor maneira possível? Sim, possível, pois perfeito é D´us e no mundo dos mortais nós erramos.
Em primeiro lugar quero deixar clara a diferença entre ser mimado e ser amado. Ser mimado tem a ver com a busca da realização de todos os desejos da criança. Ser amado é um sentimento que antes de tudo precisa ser percebido pelo outro. Eu sinto o amor.
Assim eu posso ser mimado e pouco amado, por exemplo.
O problema começa ai. Muitas pessoas acreditam que amar é sinônimo da realização de todos os desejos da pessoa amada. Só que os pais, além de amar, precisam educar, por amor.
A criança que tem todos os seus desejos atendidos, (e claro que não estou falando de um bebê recém nascido, eu me refiro a crianças maiores) não aprende a tolerar frustrações. Não aprende a batalhar suas conquistas. Acha que o mundo está ali para servi-la. A criança mimada fica brava demais quando não é atendida e não cria soluções criativas para encarar as adversidades. Ela acha que os outros tem que resolver seus problemas e não ela por si só.
Quando damos a chance da criança “se virar” sozinha, seja para subir em um brinquedo no parque, seja para solucionar um problema de matemática, seja para aprender a esperar sua vez de brincar ou jogar, estamos gradativamente expondo ela a situações onde ela usa recursos emocionais para lidar com suas frustrações. Se conseguimos expor a criança a doses suaves de frutração, ela naturalmente vai entendendo que o mundo não existe apenas para servi-la.
Porém, se eu realizo todos os desejos do meu filho, se eu não dou a chance dele se virar sozinho e ter suas conquistas, de aprender a lidar com seus erros, se eu não ensino a ele que suas atitudes tem consequências, eu crio uma realidade ilusória, um mundo que não existe. Só que o mundo está ai e não é feito só de pessoas dispostas a “mimar” nossos filhos. Uma hora eles vão ter que se virar.
E ai?…
E ai que cada dia é mais comum eu encontrar pessoas deprimidas, revoltadas, inadequadas, com uma grande dificuldade para encontrar um lugar na sociedade, se encaixar em um emprego ou atividade que exige disciplina, porque não entendem que tem que se esforçar, que precisam seguir regras e que o mundo não está disposto a ser “super compreensivo” nem a “suprir todas as suas necessidades” só porque precisam ou querem muito. 
O resultado é que essas pessoas vão começar a se frustrar de verdade na vida adulta e isso será muito doloroso. Nós pais não somos eternos.Não vamos conseguir suprir todas as necessidades de nossos filhos para sempre. Uma hora eles vão ter que se virar, vão ter que conquistar seu dinheiro sozinhos, muitas vezes formar uma família e transmitir a educação que receberam para nossos netos, ainda que melhorada.
Desta forma, um dos maiores presentes que podemos dar para nossos filhos é a capacidade de se virarem sozinhos. De ter resiliência, de saber cair e levantar, pois faz parte da vida. A criança mimada não consegue fazer esse movimento, não consegue se levantar sozinha, não consegue usar a criatividade para superar obstáculos e dar conta das derrotas inerentes a vida de todo mundo. Ela chora, esperneia e espera sempre que o OUTRO resolva seus problemas, sua dor. Ela é dependente e qualquer contrariedade a faz sentir desamparada e insegura. Ela não teve chance de aprender seus próprios recursos e que “tudo bem cair”, a gente levanta.
Se você quer que seu filho seja um adulto capaz de viver bem em sociedade, não mime seu filho. Dar amor e mimar são duas coisas completamente diferentes. Ame, abrace, beije, faça massagem , carinho, lembre se sempre se reforçar e valorizar suas conquistas, de elogiar seus esforços. Mas dê também a chance dele se levantar  e se virar sozinho. Diga “não” quando for necessário, mostre os limites, seja firme (sem ser agressivo) e ensine a ele que não tem problema errar ou perder, é assim mesmo, faz parte da vida.
A confiança que você transmite ao seu filho de que ele é capaz e que você acredita que ele vai chegar lá, com as próprias pernas, que as quedas fazem parte, os erros fazem parte, mas o importante é saber jogar as regras do jogo e se esforçar, é um grande presente, uma enorme prova de amor que seu filho vai levar e usar por toda a vida.
Não realize todos os desejos da criança. Deixe ela se esforçar para plantar e colher os frutos das suas conquistas, acertos e erros. Amanhã ela vai te agradecer e não vai sofrer tanto quando o chefe recusar um aumento de salário ou quando a(o) namorada(o) lhe “der um fora”.
“Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima”
Beijos sem muito mimo.
Renata

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