112015abr

Cama Compartilhada Mitos e Verdades – JUST REAL MOMS

Este texto foi feito para o Blog Just Real Moms:

“Tenho lido muitas coisas sobre a cama compartilhada e apesar deste ser um tema muito polêmico, resolvi falar sobre ele, pois o considero de grande importância.

A cama compartilhada é aquela onde pais e filhos compartilham o mesmo leito. Muitos o fazem porque acreditam que é o único meio de garantir a amamentação prolongada ou de fazer o bebê dormir à noite. Alguns também acham que é uma prova de amor, pois assim como os animais, devemos permanecer permanentemente junto ao bebê.

Em primeiro lugar quero falar sobre a posição da OMS (Organização Mundial da Saúde). A OMS recomenda a amamentação por 2 anos ou mais, mas é terminantemente contra a cama compartilhada. Assim, podemos entender que para amamentar um bebê por 2 anos ou mais, não é necessário dormir no mesmo leito, caso contrário a OMS não seria contra a cama compartilhada.

Então o primeiro ponto é separar uma ideia da outra. É possível amamentar seu filho por quanto tempo você desejar sem fazer uso da cama compartilhada. Sou testemunha de casos assim diariamente.

E qual seria o motivo da OMS ser contra a cama compartilhada?

O motivo chama-se estatística. Os países onde a prática da cama compartilhada é comum, como Japão e China, e até mesmo na África ou entre os índios, é onde existe o maior índice de morte súbita.

Isso significa que não são apenas os pais que usam drogas e/ou fumam que infelizmente podem passar por essa terrível situação. Alguns, sem querer, rolam sobre o bebê esmagando-o, ou durante o sono profundo movem-se com as cobertas, o que pode sufocar o bebê. Além disso, os bebês não conseguem regular muito bem sua temperatura e o contato permanente com o corpo dos pais, o que pode levar ao hiperaquecimento, uma das causas de morte.

O gás carbônico exalado pelos pais muito próximo ao bebê, também pode levar a dificuldades respiratórias.

A morte súbita do lactante não é algo que só acontece com ETs ou pais relapsos. Pode acontecer com qualquer um de nós. Pode acontecer no berço ou na cama compartilhada, só que na cama compartilhada a probabilidade é maior. É por isso que a OMS não recomenda a cama compartilhada.

OK, mas e o que dizer da mãe natureza? Que faz com que os mamíferos fiquem próximos aos seus bebês para amamentá-los?

Bem, na natureza a morte não é um evento tão dramático. Quem já viu uma cachorrinha com seus filhotinhos sabe. É comum um ou outro morrer esmagado, ou simplesmente morrer. Seguindo a natureza, teríamos inúmeros filhos no decorrer da vida e as perdas fazem parte, como quando ouvia minha avó contar que a mãe dela teve 12 filhos, mas alguns “não vingaram”.

Morrer no parto também era bastante comum. Tanto as mães como os bebês.

Mas depois da revolução industrial e digital, do uso de contraceptivos e da inserção das mulheres no mercado de trabalho, a maternidade tornou-se mais tardia, e não é muito comum um casal ter mais de 2 ou 3 filhos. Nossos bebês são preciosidades. Muitos são frutos de fertilização ou de uma espera de anos até que a situação estivesse “perfeita” para a chegada do bebê. Mesmo as mães mais jovens não costumam desejar ter 14 ou 20 filhos como no passado.

A morte não é mais vista como parte da vida. A morte é um evento terrível, uma tragédia, principalmente quando se trata de um bebezinho. Superar esse trauma é muito complicado do ponto de vista psicológico, ainda mais se existe a culpa do “talvez eu pudesse ter evitado”.

E como fica a parte emocional? As necessidades de carinho e amor, de toque e contato que o bebê tanto precisa? Será que não é nocivo manter-se distante do bebê durante o sono?

Ao contrário. O bebê pode e deve ter seu espaço. O excesso de simbiose é prejudicial tanto para o bebê quanto para a mãe. No início da vida, assim que o bebê sai do útero, é normal e esperado que mãe e bebê passem muito tempo grudados. Porém, colocar o bebê para dormir em seu berço, ainda que próximo aos pais é uma atitude que vai diminuir as chances de morte súbita e ajudar o bebê a entender que é um ser separado e distinto de sua mãe, sem que isso represente um problema.

Massagear, embalar, dar colo, amor, carinho, atenção e muito toque, é essencial para a saúde física e mental do bebê. Mas isso não significa ficar 24h por dia, 365 dias por ano grudado. É possível amar e garantir todo o toque e contato que um bebê necessita durante as horas em que estamos acordados. Converse com uma mãe de trigêmeos ou de vários filhos em “escadinha” e você verá como é possível.

E como fica a amamentação em livre demanda? É possível amamentar por anos a fio sem fazer a cama compartilhada? Claro que sim! O problema acontece quando os pais acreditam que todo o choro é sinônimo de fome e não é. O bebê pode chorar porque está com as fraldas sujas, ou porque está sozinho, ou porque está com sono, ou porque está com calor. O peito não deve ser a resposta para qualquer desconforto da vida. A mãe e o pai (sim, o pai que não tem peito, mas tem amor pelo filho) devem ensinar gradativamente ao bebê as respostas adequadas para cada tipo de situação. Assim, se seu filho está com as fraldas sujas, o correto é trocá-lo e não amamentá-lo.

Claro que no começo da vida o bebê pode precisar ser levado mais vezes ao peito para estimular a produção de leite, claro que essa sensibilidade dos pais é muito importante para que a amamentação seja algo prazeroso e não penoso. Porém, os pais que usam o peito como esparadrapo das emoções, como uma forma de fazer o filho simplesmente parar de chorar, estão entrando em um caminho complicado onde comida é resposta para todos os males da vida.

Ao dormir e amamentar o bebê ininterruptamente, temos ainda outros problemas. Mamar deitado, na horizontal, faz com que o leite escorra para os ouvidos, aumentando a chance de otites. Além disso, impedimos o bebê de criar um ritmo para seu relógio biológico, o que atrapalha as noites de sono, pois quando o bebê “mama picadinho”, ele “dorme picadinho”. Então se a intenção era dormir melhor com o bebê na cama, o resultado é exatamente o inverso.

Para terminar o texto, quero lembrar aos pais que além de pais eles são marido e mulher. Já ouvi muitos relatos de filhos que presenciaram cenas de sexo entre os pais, quando estes acreditavam que o filho estivesse dormindo, quando na verdade ou não estava, ou foi acordado pela movimentação dos corpos e alteração na respiração dos pais. Não é saudável para a criança observar cenas como essa. Os pais que tem consciência disso, muitas vezes se distanciam, esquecem seu papel no casamento e acabam focando apenas nos filhos, o que mais tarde pode resultar em um distanciamento difícil de reverter.

Se você acredita que a cama compartilhada é a única maneira de prover amor para seus filhos, reflita sobre esse texto. A OMS não seria terminantemente contra à toa. Há várias formas de amar e prover as necessidades emocionais e nutricionais de nossos filhos sem expô-los a um risco mundialmente reconhecido.”

Algumas mães disseram que as colocações acima não tinham base científica. Segue abaixo as referências e alguns dos inúmeros textos publicados no mundo inteiro demonstrando os riscos da cama compartilhada:

Para quem achou o texto sem base científica ou raso, pode dar uma olhada nas fontes:


Posicionamento da OMS e Academia Americana de Pediatria:

http://www.who.int/bulletin/volumes/89/12/11-011211/en/

“A cama compartilhada agrava o risco de superaquecimento da criança devido ao calor proveniente do corpo dos pais sob as cobertas, podendo também favorecer a ocorrência de asfixia 6. De outro lado, o hábito de compartilhar o quarto dos pais tem se mostrado protetor 7.

À temperatura corporal atribui-se um papel-chave no mecanismo da SMSL, em virtude de sua interação com os mecanismos do sono, do controle respiratório e do despertar, dada a incapacidade do lactente para acordar em resposta a uma temperatura ambiental acima de 28ºC 8. Observou-se também que os pré-termos apresentam apnéias mais freqüentes nessas temperaturas mais altas 9. Em vista disso, a utilização de duas ou mais camadas de roupas sobre o tórax e o uso de cobertas que propiciem superaquecimento constituem potenciais fatores de risco para a SMSL, da mesma forma que o uso de colchões e travesseiros macios ou cobertores e edredons sob a criança.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X2006000200019&script=sci_arttext&hc_location=ufi

*** SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA NÃO recomenda cama compartilhada:

http://www.spsp.org.br/site/ASP/materias.asp?id_pagina=318&Sub_Secao=121&hc_location=ufi

***SOCIEDADE CANADENSE DE PEDIATRIA também é CONTRA a cama compartilhada:

http://www.perinatalservicesbc.ca/NR/rdonlyres/D799441C-3E00-49EE-BDF7-2A3196B971F0/0/HPGuidelinesSafeSleep1.pdf

http://www.todaysparent.com/blogs/on-our-minds/co-sleeping-and-sids/?hc_location=ufi

***MINISTÉRIO DA SAÚDE DE PORTUGAL NÃO recomenda a cama compartilhada:

“NÃO COLOQUE O BEBÉ NA SUA CAMA PARA DORMIR! Dormir na cama com o bebé aumenta o risco de SMSL e o risco de asfixia. Este risco aumenta consideravelmente se os adultos que partilham a cama, fumarem, estiverem muito cansados, se tomaram medicamentos calmantes ou se ingeriram bebidas alcoólicas. Nunca adormeça no sofá com o seu bebé. O bebé deve dormir numa cama adequada. Durante os primeiros seis meses a cama deve estar colocada ao lado da cama da mãe.”

http://www.arsalgarve.min-saude.pt/portal/sites/default/files//images/centrodocs/CRSMCA/PNSIJ_2013.pdf

***SOCIEDADE PORTUGUESA DE PEDIATRIA : NÃO FAÇA cama compartilhada

http://www.spp.pt/noticias/default.asp?IDN=116&op=2&ID=132

**ASSOCIAÇÃO ESPANHOLA DE PEDIATRIA considera cama compartilhada fator de RISCO para Sindrome da Morte Súbita

https://www.aepap.org/previnfad/pdfs/previnfad_smsl.pdf

*** CHILE: cama compartilhada NÃO deve ser adotada:

http://www.scielo.cl/scielo.php?pid=S0370-41062014000400009&script=sci_arttext&hc_location=ufi

****Artigo científico da Pediatria da ARGENTINA é reconhece que cama compartilhada aumenta risco de morte súbita:

http://www.sap.org.ar/docs/publicaciones/archivosarg/2000/00_239_243.pdf?hc_location=ufi

SOCIEDADE ITALIANA DE PEDIATRIA dz que cama compartilhada aumenta riscos de morte súbita:

http://sip.it/per-il-medico/la-sindrome-della-morte-improvvisa-del-lattante-attualita-e-prospettive

AUSTRÁLIA NÃO RECOMENDA Cama compartilhada:

“Fórum Científico forma CONSENSO para rever as provas e as recomendações do SIDS australiano e Programa de Promoção da Saúde para crianças dormirem de forma segura:”

http://www.sidsandkids.org/wp-content/uploads/Safe-Sleeping-Campaign-Review-Jouna-of-Paediatrics-and-Child-Health.pdf

http://consumer.healthday.com/caregiving-information-6/infant-and-child-care-health-news-410/bed-sharing-in-youngest-infants-linked-to-sids-689693.html

Outros Artigos:

“O lactente deve dormir na mesma divisão dos pais, mas no seu próprio berço ou alcofa, sendo que só deve ser colocado na cama dos pais para a alimentação ou para conforto.” (Revista Portuguesa de Clínica Geral)

http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?pid=S0870-71032011000600015&script=sci_arttext&tlng=pt&hc_location=ufi

Síndrome da morte súbita infantil: pesquisa quantitativa de artigos AO REDOR DO MUNDO:

http://www.escs.edu.br/pesquisa/revista/2011Vol%2022_2_5_Sindromemorte.pdf?hc_location=ufi

“Outro ponto em comum entre a morte súbita e o inverno, segundo Lora, é que, para evitar levantar no meio da noite, no frio, as mães passam a dormir junto dos filhos na mesma cama, o que também aumentaria o risco de asfixia.”

Revista Crescer fala sobre as recomendações da OMS e ACADEMIA AMERICANA DE PEDIATRIA:

http://revistacrescer.globo.com/Bebes/Saude/noticia/2014/12/55-dos-bebes-ainda-dormem-em-situacoes-que-favorecem-morte-subita.html?hc_location=ufi

Hospital Infantil Sabará Associa Cama Compartilhada com risco de morte súbita:

http://www.hospitalinfantilsabara.org.br/saude-da-crianca/sindrome-da-morte-subita.php?hc_location=ufi

Drauzio Varella fala sobre os riscos da cama compartilhada:

Pessoas de baixa condição socioeconômica e certas populações como os africanos tem certos há- bitos, como dividir a mesma cama entre adultos e lactentes, que podem aumentar o risco de SIDS12. Em contrapartida, alguns estudos mostram que o compartilhamento do mesmo quarto entre pais e lactentes, desde que não durmam na mesma cama, reduz o risco da morte do lactente14.

Estudo recente mostrou que 85% dos casos acontecem com crianças que dormem de barriga para baixo ou COMPARTILHAM O LEITO com outras pessoas.

http://drauziovarella.com.br/crianca-2/sindrome-da-morte-subita-infantil/?hc_location=ufi

“Os pesquisadores estimam que cerca de 88 por cento das mortes por SMSI aconteceram enquanto faziam compartilhamento da cama e não teria ocorrido se o bebê não estivesse em cama de compartilhada”:

http://www.livescience.com/34531-co-sleeping-baby-sids-risk.html?hc_location=ufi

http://www.cdc.gov/sids/parents-caregivers.htm?hc_location=ufi

https://books.google.com.br/books?id=wXJ2BQAAQBAJ&pg=PR16&lpg=PR16&dq=sindrome%20da%20morte%20s%C3%BAbita%20organiza%C3%A7%C3%A3o%20mundial%20da%20saude&source=bl&ots=D8qe-yXrMV&sig=1ic2Ds1m-LHl82rj3HM6PtVeGC4&hl=pt-BR&sa=X&ei=JTAnVbzwFsSbgwSOmoGAAQ&ved=0CCEQ6AEwATgU&hc_location=ufi#v=onepage&q=cama&f=false

A colocação das crianças na posição adequada aumentou 66% nesse período e com isso houve uma redução de 38% das mortes causadas pela síndrome. Numa pesquisa recente realizada em Dublin, na Irlanda, com 197 crianças, escolhidas por acaso do tabelião de registros de nascimentos da cidade, foi constatado que 41% dos pais colocam os filhos numa posição correta para dormir, que é de barriga para cima. Outros resultados da pesquisa em Dublin revelaram que 61% das crianças conviviam com adultos que fumam, o que também pode ajudar no aparecimento da síndrome da morte súbita em crianças e que 13% das crianças dorme na mesma cama com os pais (outro perigo de asfixia) e 20% desses pais, fumam.

http://omedicoeopaciente.blogspot.com.br/2009/05/asfixia-posicao-correta-para-crianca.html?hc_location=ufi

Dividir cama com bebê AUMENTA EM 5x a chance de morte súbita:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130521_sindrome_mortesubita_bebes_mv?hc_location=ufi

Co leito e despertares noturnos:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572008000200005&hc_location=ufi

Pediatra Paulista expões sua opinião sobre cama compartilhada:

http://clinicalen.blogspot.com.br/2013/10/cama-compartilhada-postado-por-jairo-len.html?hc_location=ufi

http://www.gadoo.com.br/noticias/bebe-de-seis-semanas-morre-sufocado-apos-dormir-na-mesma-cama-de-seus-pais/?hc_location=ufi

“Nos primeiros 6 meses, seu bebê deve dormir em um berço, ou berço no mesmo quarto onde você dorme. A Academia Americana de Pediatria recomenda que você NUNCA durma com seu bebê na mesma cama…”

http://www.webmd.com/parenting/baby/tc/sudden-infant-death-syndrome-sids-overview?hc_location=ufi

Obrigada pela atenção e pela reflexão.





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