52012jun

Babá Eletrônica e as visitas ao quarto do bebê

Essa noite acabou a luz na minha casa.

Minha babá eletrônica tem bateria, mas a bateria dela também acabou.

Diante desse fato eu tinha um problema: a fantasia de que minha filha poderia chamar durante a noite e poderia não escutar.

A Laura dorme super bem. Raramente chama durante a noite. Só quando se descobre e fica com frio, quando evacua, ou algo do gênero. Conscientemente eu sei que não há, nem nunca houve motivos para eu me preocupar, principalmente agora que ela já tem quase um ano e meio.

Mas e daí?…

Conversando com outras mães que compartilham da mesma neurose que eu, acho que surgiu na atualidade uma nova modalidade de neurose derivada da super proteção: a Neurose da Babá Eletrônica.

Não, não é piada… A consequência disso é um vício na babá eletrônica que fica ligada a noite inteira. No caso da minha filha mais velha, até ela ter por volta de 4 anos.

A base desse hábito é um medo irracional de que algo pode acontecer durante a noite e eu (ou a mãe em questão) pode não perceber, o que poderia originar algum mal à criança.

O resultado disso foi uma noite mal dormida. Um olho aberto e outro fechado e várias visitas ao quarto da pequena para ver se estava tudo bem, se estava coberta, se estava dormindo, respirando, etc…

Mas e as mães, como a minha, que viveram em uma época em que não se usava babá eletrônica? Será que eram menos neuróticas?

Acho que não. A neurose da babá eletrônica é só uma FORMA de manifestar esse medo que temos de não sermos capazes de prover as necessidades de nossos filhos. Ou ainda o medo que temos que algum mal pode acontecer à criança enquanto ela dorme e que na calada da noite, ninguém perceberá.

Refletindo sobre o fato eu me pergunto: será que estando sempre alerta, seremos capazes de evitar todos os males que por ventura poderiam acontecer aos nossos filhos? E mais, será que evitar todos os males é algo saudável, ou melhor seria deixá-los passar por experiências desconfortáveis para que aprendam a se virar na vida? Qual o limite entre o cuidado e a super proteção?

Sinceramente acho que esse limite é algo muito pessoal. Mas quando ele começa a incomodar, quando deixamos de dormir a noite, quando percebemos que a ansiedade cresce muito diante de uma fantasia, é hora de pararmos para pensar se a neurose não está ocupando espaço demais em nossas mentes e verificar dentro de nós mesmas as causas desses medos.

A psicoterapia, realizada por um psicólogo devidamente capacitado, pode ajudar muito a pensar esse limite e as causas pessoais de nossos medos e fantasias.

O auto-conhecimento ajuda na educação de nossos filhos e também na maneira como vamos lidar com as nossas dificuldades.

Espero logo conseguir desligar a babá eletrônica e dormir em paz, sem achar que não vou ouvir caso ela me chame.

Beijos da psicóloga que também é mãe e humana,
Renata
www.terapeuta.psc.br

Imagem de: http://www.mundodastribos.com/baba-eletronica-como-escolher-dicas.html


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