272014dez

As Novas Igrejas das Mídias Sociais

Um fenômeno curioso que venho observando há algum tempo é a intolerância e agressividade das pessoas, umas com as outras, nas mídias sociais.

Funciona mais ou menos assim: “Quem não está comigo, está contra mim.”
E isso se estende para qualquer assunto. Qualquer assunto mesmo.

Por exemplo, se faço parte de um grupo de notícias e quero vender um sofá, já é motivo de brigas, pois foge do propósito do grupo e além disso alguns acham que a pessoa deveria doar e não vender. Isso já dá margem para horas sem fim de discussão.

Se quero comprar um cachorro e não adotar, sou egoísta e quero usar o cachorro como símbolo de estatus, sou isensível pois não penso em todos os animais abandonados que existem por ai. Se quero adotar um cão, mas que não seja muito grande pois moro em lugar pequeno, sou exigente e desalmada, não sei o valor do amor de um animal, pois se soubesse jamais pediria algo tão cruel e sem cabimento.

E é assim mesmo. Com palavras duras e descabidas que os julgamentos correm solto entre desconhecidos.

Desta forma, pequenas “igrejas” vão surgindo. Dos assuntos mais variados.

O triste desse movimento nas mídias sociais, é perceber que as pessoas que fazem parte de uma “igreja” qualquer, não admitem se relacionar, conversar, trocar ideias com pessoas que pensem diferente, a não ser que seja para convencê-la de que ela deve aderir a sua “igreja”.

Na época das eleições isso ficou insuportável. Pessoas que eram petistas não podiam mais de relacionar com quem era a favor do PSDB. E vice-versa. A todo momento eu via alguém dizer: “exclui mais um petista do meu perfil” ou “um tucano a menos na minha página”.

Como toda “igreja” temos a ideia de um demônio que PRECISA ser eliminado. Daí ele aparece no outro que defende uma ideia diferente da minha. Assim, eu passo a atacá-lo loucamente, com todo ódio do mundo, uma pessoa que na maioria das vezes eu nunca vi e é a primeira vez com quem converso.

Jung falou muito disso quando discorreu sobre a sombra. No passado, a repressão sexual da qual Freud tanto comentou, deu margem para muita expressão de sombra. Hoje os temas são outros e a sombra tem se expressado nos grupos do Facebook, nos Foruns virtuais e por ai vai.

Na minha singela opinão, quanto mais maniqueísta e dono da verdade você for, pior para você. Como já diziam os Titãs, “Riquezas são diferenças”. Eu gosto mesmo é de conversar com quem pensa diferente de mim. É onde eu aprendo e cresço. Eu não preciso concordar com a pessoa e nem ela comigo. Ela não é nem melhor, nem pior do que eu, nem mais “certa” ou “errada”, apenas diferente. Podemos ser amigas.

Exercer a tolerância é muito importante para viver em harmonia. Se decidimos que só existe uma únca verdade absoluta, pode ser muito confortável, mas paramos de pensar. Se nosso diálogo só está aberto para a conversa com quem pensa igual a nós e o diferente precisa ser “catequizado” ou “eliminado”, voltamos a idade média, a caça às bruxas e vamos passar a “queimar vivos” quem não for como nós.

O mito da atualidade se chama “Ciência”. É o “Deus” de muitas igrejas. Ciências políticas, médicas, psicológicas, etc… O que a maioria das pessoas se esquece é que a ciência é feita pelos HOMENS (imperfeitos) e que a grande maioria das verdades que a ciência prega hoje, serão grandes absurdos amanhã. Uma das principais características da ciência (muito bem lembrada por Jung, diga-se de passagem) é essa: ela não está pronta, terminada.

Jung lembrava que sua teoria não estava acabada. Ele tinha apenas iniciado um caminho que é sem fim.

Desejo a todos os radicais mais flexibilidade. A todos os cheios de certezas, muitas dúvidas. Aos de esquerda, mais direita e aos de direita, mais esquerda.

E assim teremos um Feliz 2015 com mais paz, amor e gentileza nas mídias sociais e no mundo.
Podemos pensar diferente e nos relacionar sem “Affffffffeeeeeeeeeeee”. E com muito respeito.
Beijão!
Renata


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